segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Capítulo 14.5 - Especial!




                A cidade de Verdanturf era uma das mais belas daquela parte do continente, apesar de estar entre as menores. Possuía casas simples, porém de arquitetura singular, dando-lhes um aspecto único. Quase todas elas exibiam jardins com jardins exuberantes e bem cuidados. O vento ali também era constante, tocando o tempo todo as folhas das belas árvores que pareciam dançar. No sul da cidade estava o ponto de maior orgulho para a população local, que fora uma das primeiras a entrar na tradição mais comum da região, a arena de concursos.
                Mas não era para lá que o foco da narrativa se dirigia e sim para uma humilde casa ao norte da cidade, onde um menino de cabelos e olhos esverdeados tentava de tudo para lidar com uma pokémon rebelde. Seus pais, cansados daquela cena, já haviam ameaçado diversas vezes expulsar a criatura dali e ele não duvidava que estivessem perto de cumprir sua promessa. Para começar, eles não haviam sequer concordado com o fato de ele ter um Pokémon e só não comentavam nada por perceberem que ele gostava de verdade da criatura, mas vez ou outra os pegava olhando torto para ela.
                A única que era favorável à presença de Ártemis era sua tia Maggie. Mesmo com todos a dificuldade que Wally tinha em lidar com sua pokémon, ela sempre insistia para que o garoto continuasse tentando. Vez ou outra até trazia alguma berry ou guloseima que acreditava que a pokémon iria gostar, mas tudo havia sido em vão. E a situação que estavam vivendo naquele momento era a prova viva daquilo.
                Escondido atrás da escrivaninha do seu quarto e com um travesseiro em mãos, o garoto tentava a todo custo desviar dos objetos lançados pela Ralts em sua direção. Depois que a pokémon aprendera o Confusion, sua vida praticamente havia se tornado um pesadelo. Qualquer mínima coisa que irritasse a filhote era respondida com uma explosão de objetos atirados. Todos os objetos “quebráveis” já haviam se transformado em mero lixo, incluindo os pequenos troféus ganhados pelo garoto por suas conquistas na escola. Aquela explosão havia se iniciado quando ele, distraído, bateu com seu cotovelo na maçã semicomida da pokémon e ela caiu dentro da sexta de lixo do lado da escrivaninha.
                – Me desculpe, Ártemis. Foi sem querer, eu não vi que você havia deixado aí em cima... – Tentou explicar-se e recebeu como resposta um livro que o acertou de raspão. Por sorte, era um exemplar pequeno. Ele tinha medo do momento em que ela chegasse às grandes enciclopédias no topo da estante.
                – Wallance, desça já aqui! – Ouviu a voz de sua mãe gritando-o no andar de baixo.
                – Ferrou! – Disse baixinho enquanto procurava uma maneira de passar pela mira certeira de sua pokémon. Além disso, pelo tom de voz de sua mãe, sabia que a conversa não seria boa.
                Optou por tentar passar o mais rápido possível com o travesseiro tampando sua face. Qualquer outro lugar que fosse atingido e deixasse um hematoma poderia ser escondido. Levantou-se e tentou sair o mais rápido possível, mas para seu azar, a Ralts era mais astuta do que parecia, lançando o próximo livro na parte mais sensível de seu corpo que estava desprotegida. Um pequeno gemido de dor saiu de seus lábios e ele curvou-se com a mão sobre o a área atingida.
                – Wally? – Gritou novamente sua mãe.
                – To indo! – Respondeu ele, com o máximo de fôlego que conseguiu reunir.
                Vendo que atingiu o objetivo desejado, Ártemis parou de arremessar os livros e andou até a cama do garoto, onde se deitou olhando para o teto. Ele tentou recompor-se da melhor maneira possível, mas precisou andar vagarosamente e descer as escadas com as pernas levemente abertas para tentar reduzir a dor. Quando chegou ao pé da escada, respirou fundo e assumiu a face mais inocente e natural que conseguiu para ir ao encontro da mãe.
                – Sim, mamãe? – Perguntou ele num tom gentil.
                – Por que demorou? Aquela coisa está destruindo seus pertences de novo? – Questionou a mãe.
                – Por nada! E ela não é uma coisa e nem está destruindo nada, está apenas brincando! – A mulher suspirou em desagrado com a resposta do filho.
                – Wally, quando você vai se livrar dela? Além de se comportar de maneira horrível, ainda está destruindo seu quarto. Ela vai acabar com sua saúde que já é frágil!
                – Minha saúde não é frágil e ela não vai embora – Ele retrucou, sentindo a raiva preenchendo seu peito. Sua respiração começou a ficar um pouco mais pesada.
                – Você não sabe o que é melhor pra você, pois é só uma criança! Deixe que seus pais cuidem disso!
                – Se você soubesse o que é melhor pra mim não iria querer que eu me livrasse de uma amiga! – Sua garganta já estava ficando incomodamente fechada e respirar estava se tornando cada vez mais difícil. Antes de ter uma crise na frente da mãe, decidiu sair dali, se dirigindo para porta da frente – E eu não sou mais uma criança! – Gritou.
                Antes que pudesse sair de casa, sua tia segurou-o pelos ombros e conduziu-o pelo caminho oposto, em direção à cozinha. O fez sentar em um dos bancos do balcão e lhe entregou uma bombinha de ar, a qual o garoto usou imediatamente.
                – Acalme-se – Disse ela enquanto acariciava os cabelos esverdeados – Eu ouvi a discussão de vocês
                – E-ela não tem esse direito! – Disse com voz trêmula. Aos poucos seus olhos enchiam-se de lágrimas conforme a raiva ia sendo substituída pela vontade de chorar.
                – E você precisa se acalmar – Entregou ao sobrinho um copo de água e enquanto ele bebia, falou com uma voz tranquilizadora – Dê uma volta com sua pokémon. Eu irei conversar com sua mãe.
                – Ela não gosta de mim – Desabafou em um fio de voz. Custava a si mesmo admitir isso, mas sabia que era verdade. A mulher bufou.
                – Não seja bobo, é claro que ela gosta. Além disso, vai ser bom para vocês tomar um pouco de sol e ar fresco. Fique aqui que irei buscá-la – Ela saiu do cômodo enquanto ele respirava profundamente, aos poucos se recuperando da crise inicial.
Poucos segundos depois, Maggie voltou até lá com a esfera bicolor em mãos. Wally pegou-a enquanto olhava para o rosto da tia. Mesmo um sendo mais velha, ainda conservava grande parte da beleza de outrora. Os cabelos castanhos escuros entremeados de fios brancos eram muito parecidos com os de sua mãe. Na verdade, em tudo elas eram bastante parecidas, embora sua tia sempre fora muito mais simpática e compreensiva.
– Obrigado! – Agradeceu o garoto e saiu pela porta da cozinha.
O céu estava claro, tornando a manhã ainda mais bonita. Ele se perguntou para onde iria por alguns segundos, até decidir que talvez Artemis gostasse de ver os girassóis. Caminhou por alguns minutos pela cidade, cumprimentando alguns moradores que conhecia e subiu um pequeno morro para chegar ao local pretendido. Dali podia se ver um longo campo de lindas e altas flores amarelas no auge de sua beleza. Ele olhou para a pokeball que ainda estava em suas mãos e liberou sua pokémon.
– Olha Artemis,  te trouxe aqui para que visse o campo de girassóis! – Falou com um sorriso.
A pequena olhou para ele sem expressão alguma no rosto e em seguida caminhou até o mais longe possível que a sombra da árvore onde estavam permitia, sentando no chão. Vários minutos se passaram até que o garoto finalmente teve coragem de falar.
– Eu sei porque você não gosta de mim... – Ela voltou sua cabeça na direção dele – Você acha que eu não a entendo, mas eu entendo sim. Você ficou chateada por eu ter ficado com você, queria ter tido a chance de escolher seu treinador. A May é muito mais forte e segura de si, assim como você. Além disso, nesse momento, ela agora está na estrada treinando com seu irmão, enquanto você está presa aqui comigo... Não é de se espantar que esteja chateada.
A pokémon não esboçou qualquer reação, era quase como se ele não houvesse dito nada. Wally não soube mais o que dizer e apenas optou por prolongar o silêncio. O tempo aos poucos foi passando e ele se ocupou em tentar atirar pequenas pedrinhas no chapéu de um espantalho que supostamente protegia a plantação. Várias foram atiradas sem sucesso, até que uma delas passou raspando a beirada do chapéu, fazendo-o comemorar. Vendo isso, a pequena Ralts usou seu Confusion para lançar uma que retirou o chapéu da cabeça do boneco.
– Você sabe que isso não valeu, não é? – perguntou estreitando os olhos. Ela deu de ombros e lançou uma pequena pedrinha que acertou o na testa – Ai! Isso doeu!
– Ei Wally! – Uma voz atrás dele gritou e seu corpo enrijeceu achando que era o dono da plantação.
Virou-se vagarosamente para trás e viu que na verdade, era um menino que subia o morro. Lembrava-se dele, estava visitando sua tia na época, era o filho do prefeito da cidade que havia saído em jornada há alguns meses, porém escolhera a região de Johto por algum motivo. Devia ter uns dois anos a mais do que ele e tinha a pele bronzeada e cabelos muito curtos.
– Oi Henry!
– Você... – começou ofegante. – Você tem esse pokémon há muito tempo?  - perguntou ele.
– Eu... Na verdade não – respondeu Wally, receoso de que o outro quisesse uma batalha – Apenas alguns dias. Por quê?
– Estaria interessado em trocá-lo comigo? – Perguntou ele, mostrando uma Great Ball.
– T-trocar?
– Sim, você troca seu pokémon pelo meu? Aqui eu tenho um Elekid que evoluiu num dos melhores pokémons do tipo elétrico, mas quero um bom pokémon psíquico para meu time.
Wally não o respondeu imediatamente e olhou para sua pokémon, imaginando o que ela estaria pensando de tudo aquilo. Não sabia se ela entendia o que estava acontecendo, mas não duvidava nem um pouco de sua capacidade intelectual. Sentiu seu coração apertar-se ao imaginar que talvez fosse exatamente aquilo que a pokémon quisesse, estar com um treinador que lhe oferecesse muito mais do que ele próprio oferecia.
Imagens de quando a recebeu pela primeira vez vieram à tona em sua mente. Ela era pequena e frágil, era a coisa mais linda que ele já havia visto e ele a amou desde o primeiro instante. Mesmo depois que ela destruíra seu quarto e parte da casa de sua tia, mesmo depois de perceber que ela não gostava de tê-lo como treinador, aquela pokémon ainda significava o mundo para ele. Ela nunca foi sua segunda opção. Entretanto, ali estava uma oportunidade dela ter o que queria. Ele podia tê-la amado primeiro, mas lhe daria a liberdade de ir se fosse necessário.
– Se ela quiser ir com você – Nunca pensou que palavras pudessem ser ditas com tanta dor – Não há necessidade de trocas. Ela pode ir... –retirou a esfera de seu bolso, sua mão tremia tanto que mal conseguia segurá-la.
Ártemis havia se levantado, olhava de um para outro, como se indecisa do que devesse fazer. Não podia culpá-la, era só uma criança, apesar de ser muito mais inteligente do que qualquer criatura semelhante, muito mais inteligente do que muitos humanos. No entanto, aliada a precocidade veio a arrogância e talvez tenha sido esta que guiou sua escolha. Levou a pequena mão ao centro da pokeball e tocou o botão prateado, sendo absorvida para dentro do aparelho. O garoto sentiu seu coração quebrar-se em mil pedaços.
– Você vai me dar sua Pokémon? Você está louco? – perguntou Henry, incrédulo. As mãos de Wally tremiam tanto que ele mal conseguia estender a mão sem deixar a esfera cair.
– Pegue... – Por mais que desejasse parecer firme, sua voz saiu trêmula. O garoto pegou a esfera e a observou e em seguida lançou a Great ball para Wally que a pegou por puro reflexo.
– Você não pode ficar sem pokémons – fez um sinal com o rosto para a esfera – É um cara legal, cuide bem dele. E obrigada! – agradeceu enquanto virava-se e voltava pelo caminho por onde tinha vindo.
O garoto da cidade de Petalburg ficou um bom tempo apenas a fitar a esfera azul e branca em mãos, como se para processar tudo o que havia acontecido. Um vento forte vindo do leste começou a soprar, espalhando os fios de cabelo verdes para todas as direções. Um barulho de algo caindo no captou brevemente sua atenção e em modo automático ele virou-se para olhar. Ele não havia reparado sob qual árvore estava, era uma macieira e o objeto caído alguns centímetros a sua frente era uma maçã, provavelmente a última da estação, que naquele momento se espatifara com a queda. A visão do fruto caído revirou suas entranhas e liberou uma explosão de sentimentos, fazendo-o ajoelhar-se e levar as mãos aos olhos para tentar conter a cascata de lágrimas que caía.





domingo, 20 de janeiro de 2019

Notas da Autora - Capítulo 14




        Sempre tenho dificuldade em saber o que escrever em minhas notas, por isso acabo demorando para escrever. Nesse capítulo dividimos a história em três partes começando com as meninas, indo para as Brendan e voltando para as meninas. Diferente do que alguns podem ter pensando, a May não voltou a ficar "de boa" com ele, apenas estava feliz pela batalha de ginásio. Será que um dia ficará tudo bem entre eles?
      Nesse capítulo também temos dois importantes acontecimentos que são a apresentação da Corporação Devon e da Equipe Magma, e apesar dessa segunda ser bem menor, já deu pra perceber que não estão na brincadeira, não é mesmo? Aqui tivemos um pouco mais do Brendan também, já que ele tomou quase todo o capítulo. Espero que tenha dado pra vocês conhecerem um pouco mais sobre esse protagonista.
           Essa semana teremos um especial que será lançado na segunda ou na terça, além do resultado para saber qual(is) serão o(s) novo(s) escritor(es) da Neo Aliança! Então continuem acompanhando o blog para não perder nada! 
          Acho que é isso! Abraços a todos!
           

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Capítulo 14





                Ainda era muito cedo naquela manhã quando May despertou em seu quarto no Centro Pokémon. Abrindo vagarosamente os olhos, a garota contemplou as paredes alvas até reunir coragem suficiente para levantar. Ao seu lado, na cama de solteiro, a pequena Skitty ressonava tranquilamente, sem se preocupar por estar ocupando quase 60% do espaço disponível na cama por estar toda esticada. Moveu-se lentamente para o lado oposto tentando levantar sem acordar a gata e, quando o fez, dirigiu-se ao pequeno banheiro para trocar-se e escovar os dentes.
Naquele dia, May e Juliana haviam combinado de ir até a rota 116, onde esperavam que ela conseguisse capturar mais um pokémon e treiná-lo para o concurso que seria em três dias. Não haviam comentado nada a Brendan pelo fato do mesmo já ter ido dormir no momento em que decidiram e May esperava em seu interior que a negra não houvesse falado, ainda não sabia se queria a presença do garoto perto de si.
Assim que acabou de se trocar e fazer sua higiene matinal, foi até sua Skitty enquanto penteava os cabelos. Cutucou-a enquanto chamava baixinho para despertá-la. A gata moveu-se e virou o rosto para sua treinadora com uma expressão de desagrado por estar sendo acordada tão cedo. Em seguida se levantou, espreguiçou o pequeno corpo peludo, caminhou até a coberta mais próxima, onde entrou e enrolou-se debaixo dela. May revirou os olhos e retirou a coberta, revelando uma pequena bola rosada peluda.
– Pode ficar aqui se quiser, mas estou indo treinar – Disse May enquanto amarrava o lenço na cabeça. A gata deu um miado resignado em resposta e arrastou-se lentamente de baixo dos panos. A garota pegou sua Premier ball e chamou a pokémon de volta, saindo do quarto em seguida.
No centro não havia quase ninguém acordado naquela hora, por isso o silêncio era quase absoluto, quebrado apenas pelo som de seus passos. Ela deixou seus pokémons na recepção para serem alimentados e foi até o refeitório, onde encontrou a amiga já acordada. Tomaram um café da manhã reforçado e logo se dirigiram até a a enfermeira para pegar seus pokémons e partir para a rota.
– Você disse ao Brendan que iríamos treinar agora pela manhã? – Perguntou a mais nova, sem conseguir conter a curiosidade.
– Eu bati na porta dele agora de manhã, mas acho que ele não me ouviu. De qualquer maneira, deixei um recado para ele por baixo da porta pra procurar a gente quando acordar – May apenas assentiu com a cabeça.
                Elas pegaram seus pokémons com a enfermeira e se dirigiram até a saída do prédio. O estacionamento estava praticamente vazio, bem como as ruas ao seu redor. Alguns garis passavam pela rua conversando animadamente entre ele enquanto varriam o lixo acumulado no dia anterior. Logo aquelas calçadas estariam tomadas de pessoas que se dirigiriam ao centro comercial para ir ao trabalho ou fazer compras.
                – Podemos ir ao Pokemart antes de ir para a rota? Minhas poções e antídotos estão quase acabando e temo que talvez precisemos deles durante o treino – Sugeriu a mais nova.
                – Claro, baby. Temos bastante tempo hoje – Assentiu a outra enquanto tomavam o caminho oposto ao qual iam inicialmente.
***
                Algum tempo depois, em seu quarto, Brendan acordava de um sono tranquilo. Talvez a boa qualidade dos objetos daquele Centro tivesse influência nisso, já que havia dias em que dormira em uma cama tão confortável. Espreguiçou-se demoradamente na cama e pegou o relógio sobre a mesa de cabeceira, vendo que já era um pouco mais tarde do que o horário que estava acostumado a acordar. Esfregou os olhos com os nós dos dedos e levantou-se, indo ao banheiro para se preparar para mais um dia.
                Quando já estava devidamente vestido foi que notou o papel dobrado que se encontrava no chão em frente à porta. Abaixou-se e pegou-o, imaginando quem havia deixado ali. Não reconheceu a letra a princípio, mas o nome assinado no final do bilhete dizia por quem fora mandado.



                Permaneceu olhando alguns segundos para o papel em suas mãos, enfiando de qualquer jeito no bolso logo em seguida. Não sabia se iria ao encontro das garotas, não parecia animador ficar vendo-as treinando e procurando por pokémons por horas a fio. Por outro lado, não tinha nada para fazer, então qualquer coisa que surgisse para matar o tempo seria melhor do que ficar parado olhando para o teto de seu quarto.
                Ainda perdido em seus próprios pensamentos, tomou seu café da manhã lentamente. O centro naquele horário já estava mais movimentado, em sua maioria por treinadores que pareciam ser mais jovens do que ele. Sua mente se encontrava tão dispersa que mal viu um garoto, que devia ter aproximadamente 10 anos, se aproximar.
                – Oi! Você é um treinador? – Perguntou com voz infantil. Isso despertou Brendan de seus devaneios e ele dirigiu seu olhar ao menino.
                – Sou sim? Por quê?
                – Quer me enfrentar em uma batalha pokémon? – Perguntou e em seguida olhou para os garotos sentados em uma mesma próxima que observavam a cena. Todos pareciam ter a mesma idade.
                – Não, obrigado – Disse Brendan, voltando de novo seu olhar para a xícara em que bebia.
                – Por que não? – O mais velho simplesmente deu de ombros.
                – Eu não estou interessado.
                – Mas você não é um treinador? Tem que fazer batalhas – Insistiu o garoto. Brendan simplesmente revirou os olhos, começando a se irritar com ele.
                – Garoto, esse aqui é um Centro Pokémon. Está cheio de treinadores por toda parte – Fez um sinal como o dedo para sua volta – Tenho certeza de que vai achar alguém pra você importunar e conseguir sua batalha – Sem esperar resposta, levantou com a louça suja e a deixou em área adequada.
                O sol já estava alto quando Brendan chegou à saída do centro após pegar seus pokémons. Para seu desagrado, muita gente caminhava pelas ruas em frente ao estacionamento, sinal de que o centro comercial deveria estar do mesmo jeito. Ele detestava andar entre multidões e detestava o intenso barulho produzido por lojas ao anunciarem seus produtos. No entanto, ter que ficar esperando dentro de seu quarto sem nada para entretê-lo parecia muito pior.
                Sem um destino certo, o caminhou pelas ruas mais vazias observando tudo ao seu redor. Ficava quase evidente a riqueza da maioria dos moradores dali quando observava os preços da maioria dos produtos vendidos. Por sorte, os itens para pokémons ainda mantinham um preço regular e ele conseguiu abastecer com tudo o que lhe faltava.
Conforme o avançar da manhã, o tempo foi ficando cada vez mais quente e ele decidiu parar em uma lanchonete para comprar um refrigerante. Com a bebida em mãos, andou até uma pracinha próxima onde se sentou em um banco e ficou a observar pequenos Oddishs e Shroomishs saltitando de um lado para o outro ao redor do irrigador automático. Foi então que uma ideia de repende se acendeu em sua mente e ele soube onde poderia ir.
Levantou-se e andou até uma dupla de mulheres que havia passado por ele, por elas se informou a localização da Corporação Devon. Não estava muito longe dali, em poucos minutos seus olhos já visualizavam o prédio que era o mais alto e também o mais belo da cidade. Possuindo dezenas de andares, aquela era uma das maiores empresas do mundo, abrangendo não só a área de mineração como ressurreição de pokémons fósseis e desenvolvimento de tecnologias para treinadores. Conforme foi caminhando, o garoto percebeu que o prédio se encontrava bem mais longe do que ele imaginava e que o fato de tê-lo visto rapidamente foi pelas grandes dimensões do lugar.


Quando finalmente alcançou o local, já estava ofegante e uma pequena gota de suor escorria por sua face. Ele já estava subindo uma pequena escadaria para entrar no prédio quando um corpo se chocou contra o seu com tamanha força que o lançou ao chão. Ele olhou para cima para ver quem o derrubara, mas não viu seu rosto, pois o mesmo estava coberto por um capuz vermelho com um M no peito.


– Saia da frente, seu imbecil – Disse a voz agressivamente. Brendan ia responder que fora o outro que esbarrara com ele, mas o homem já estava longe.
– Louco – Comentou baixinho enquanto se levantava.
Suas roupas haviam adquirido um pouco de poeira, a qual ele limpou rapidamente para não passar uma impressão ruim. Assim que entrou pela portaria, se deparou com a luxuosa recepção de paredes brancas e móveis escuros, deixando bem evidente o nível do lugar onde se encontrava. Na recepção, duas mulheres trabalhavam em seus telefones e computadores enquanto atendiam os clientes. Ele esperou pacientemente por sua vez e foi atendido pela de cabelos loiros.


– Com licença. Pode me informar em que andar encontro o Sr. Jonas White?
– Trigésimo nono andar – Respondeu a mulher sem dirigir os olhos para ele.
Brendan caminhou até um dos três elevadores e apertou o botão que correspondia ao andar referido. A parede do fundo do elevador era de vidro, permitindo com que ele tivesse uma bela visão da cidade, bem como de seus campos rurais e rio. Ao contemplar tudo isso, suas pernas tremeram. Poucas vezes comentava isso para as outras pessoas, mas estar em lugares altos o deixava nervoso. Ele tolerava alturas, mas preferia manter os pés bem firmes no chão.
Uma pequena campainha tocou quando o elevador parou, anunciando a chegada ao andar correto. Eles saiu da caixa metálica o mais depressa possível e caminhou até uma segunda recepção, onde havia apenas uma moça de cabelo negro trançado. Ela levantou os olhos dos papéis que lia assim que percebeu a aproximação do jovem.
– Bom dia! Posso ajudá-lo em alguma coisa? – Perguntou olhando-o por trás dos óculos de grau. Certamente avaliava-o mentalmente enquanto questionava-se internamente sobre o porquê dele estar ali.
– Acho que sim. Procuro o Sr. Jonas White – Respondeu distraído enquanto observava o ambiente ao seu redor.
– Você tem hora marcada? – Perguntou com certo desdém. Brendan deu de ombros.
– Não, mas ele disse que eu poderia vir aqui visitá-lo quando quisesse.
– Bem, se não possui hora marcada, o Sr. White não poderá atendê-lo. Ele está muito ocupado em suas pesquisas nesse momento.
– Você não poderia ao menos anunciar que estou aqui? Meu nome é Brendan Birch – Insistiu Brendan, já demonstrando uma leve chateação pela resposta grossa da secretária.
– Sem hora marcada, sem atendimento. Agora me deixe voltar ao meu trabalho – Ela voltou a ler, fingindo que ele não estava ali.
O garoto não respondeu, apenas caminhou até o assento mais próximo e acomodou-se ali. Percebendo que nada foi dito, ela tornou a erguer seu olhar e o viu folheando uma revista tranquilamente.
– O que acha que está fazendo? – Perguntou, a voz mostrando-se visivelmente irritada.
– Você disse que ele está ocupado e como eu não tenho nada pra fazer, ficarei aqui esperando – Deu um sorriso debochado – Não se preocupe, não irei incomodá-la.
– Escute aqui, garoto... – Começou ela, mas foi interrompida pela voz vinda da porta a sua esquerda, que acabava de ser aberta.
– Janine, você poderia ligar para a Microns e confirmar a entrega dos microchips P-932? Estamos com uma linha de produção acelerada e temo que eles não cheguem dentro do prazo estabelecido – Pediu Jonas em tom simpático.
– Sim, senhor – Assentiu a moça, já pegando sua agenda para procurar o número.
Foi aí que o homem notou a presença demais alguém na sala e, ao ver que era Brendan, seu rosto alegrou-se. Andou até o rapaz, estendendo a mão para cumprimentá-lo.
 – Brendan! Que surpresa vê-lo por aqui – Disse enquanto balançava a mão do jovem – A que devo a honra desta visita?
– May e Juliana foram treinar ou algo parecido hoje cedo. Como eu não queria ir, pensei que seria uma boa ideia vir aqui – Ocultou o fato de não possuir mais nada para fazer para não ser rude.
– Fico bem feliz com sua visita. Já está quase na hora do almoço, mas posso lhe mostrar algumas coisas daqui – Apontou para a porta por onde entrara – Quer ver como revivemos os nossos fósseis? É um processo extremamente interessante.
No entanto, antes que Brendan tivesse a chance de responder, um alarme soou tão alto que ele teve de levar as mãos aos ouvidos. A porta de um dos elevadores por onde entrara se abriu e por ela entrou uma bela moça de cabelos castanhos bem curtos e olhos de mesma cor. Ela carregava em mãos uma pasta de cor amarela e pareceu aliviada ao ver Jonas ali.
– Senhor, temos um problema! – Falou em sua tom de desespero.
– O que houve, Lorraine? – Questionou o homem, preocupado com o estado de sua cientista.
– Eddie foi encontrado desmaiado em seu laboratório com um ferimento em sua cabeça. Encontrei-o quando estava indo pegar os papéis de nosso último projeto – Ela passou as mãos pelo cabelo em nervosismo – Depois de ajudá-lo, não os encontrei por lá. Tenho quase certeza que foram roubados – A postura de Jonas mudou completamente, assumindo uma seriedade que até então não havia sido vista por Brendan.
– Eddie já acordou? Ele disse alguma cosia?
– Quando eu o deixei com o médico da empresa ele estava em estado semiconsciente. Falava da Team Magma e sobre um homem de capuz vermelho – O corpo de Brendan arrepiou-se com a lembrança do encontro ocorrido alguns minutos atrás.
– Você já consultou a segurança? – Perguntou Jonas.
– Eu liguei para que eles vejam nas filmagens se há alguém que bate com a descrição e pedi para que me enviassem o mais rápido possível, caso encontrem algo – Jonas assentiu com a cabeça.
– Fez bem – Elogiou – Irei ligar agora mesmo na delegacia e informar sobre o roubo. Tenho alguns contatos lá que talvez possam vigiar as saídas das cidades.
Ele pegou seu celular e se afastou dos outros dois, que ficaram olhando um para o outro sem saber o que dizer. A mulher ainda estava visivelmente nervosa com o que havia acontecido com seu colega de trabalho. Jonas conversava rapidamente no telefone e suas palavras eram incompreensíveis, mas no rosto era nítido um alto nível de preocupação associada a raiva. Brendan ficou imaginando se aquele era o melhor momento para ir embora, ainda sem saber se deveria falar sobre a figura que esbarrou nele.
Alguns minutos depois, Jonas voltou até eles. Seu rosto estava um pouco pálido e claramente parecia abalado. Olhou para sua cientista que aparentava estar quase tento uma crise de ansiedade.
– A polícia chegará aqui em alguns minutos – Sentou-se de qualquer jeito no sofá – Liguei para um amigo que trabalha patrulhando as rotas e ele disse que ia pedir aos outros que ficassem atentos com a descrição, mas que ele acha que viu uma figura parecida correndo para rota 116.
– E porque ele não o parou? Isso é uma atitude suspeita – Disse a moça, indignada.
– Ás vezes não é. Ele também não teve tempo de averiguar direito a situação, pois estava lidando com um bando de motoqueiros baderneiros – Suspirou – De qualquer modo, ele não pode sair de seu posto para procurar um suspeito sem autorização. Disse que mandará alguém o mais depressa que conseguir.
Mais um calafrio percorreu o corpo de Brendan e ele retirou o papel que havia enfiado no bolso mais cedo. O ladrão estava indo para a mesma rota onde as meninas estavam. Se fosse qualquer outra pessoa, ele não se preocuparia tanto, mas elas eram como um imã para problemas. Qualquer coisa perigosa num raio de três quilômetros certamente irá em direção a elas.
– Eu preciso ir – A voz do adolescente saiu como um sopro, mas foi suficiente para que Jonas notasse e voltasse novamente sua atenção para ele. O mais velho estendeu o braço e tocou no ombro do treinador.
– Me desculpe por não poder mais mostrar-lhe o que havia mencionado, Brendan. Infelizmente essa situação está sob minha responsabilidade e preciso resolvê-la – Deu um suspiro cansado – Eu gostaria muito que você voltasse aqui em outra ocasião.
– N-Não tem problema, está tudo bem – Respondeu ele, sem prestar muita atenção ao que o homem dizia – Eu venho aqui outro dia. Obrigado por me receber – Deu um pequeno sorriso no fim para tentar parecer mais convincente.
Sem esperar por resposta, Brendan virou-se e andou rapidamente até o elevador mais próximo. Seu nervosismo aliado ao medo de altura o fez fechar os olhos e bater o pé ritmicamente enquanto tentava pensar em qualquer outra coisa que não fosse a situação em que se encontrava. Esqueceu-se de mencionar a Jonas o que havia visto, mas isso fora até bom. Talvez se soubesse que o rapaz sabia quem era o ladrão, teria tentado impedi-lo de sair dali de alguma forma. Mesmo sem argumentos convincentes, o Administrador possuía poder suficiente para isso.
Pareciam ter ocorrido horas do momento que ele entrara no elevador até atingir o andar térreo, mas finalmente ele pode sair daquela caixa de morte. Andou o mais calmamente possível em direção à saída para que não o considerassem um suspeito e informou-se com o segurança do prédio qual era a localização da rota, alegando ir treinar seus pokémons. Com a informação em mãos, andou o mais devagar que conseguiu até virar a esquina e, assim que notou estar fora do campo de visão dos seguranças, começou a correr o mais rápido possível.  Esperava que não fosse tarde demais para impedir suas amigas de entrarem em algum problema.

***

                O sol estava forte naquele final de manhã e ameaçava esquentar mais conforme o correr das horas. A rota 116 era uma das mais curtas do continente, fazendo a ligação da cidade de Rustboro com uma grande montanha que separava-a de Verdanturf. No entanto, era uma das rotas mais cheias de treinadores quando comparada as outras pelo seu tamanho. Muitos deles eram estudantes da escola que já possuíam pokémons e iam até ali para treinar suas habilidades mais tranquilamente. Alguns até mesmo reconheceram May da batalha contra Roxanne e parabenizaram-na pela conquista da insígnia. Era estranho para a morena receber tanta atenção.



                Como haviam se alimentado pela última vez ao sair do centro, ambas estavam cheias de fome e decidiram parar para almoçar. O lugar foi escolhido foi a sombra de uma árvore de tamanho grande um pouco mais afastada da estrada principal. A relva ali era mais curta, o que permitiu com que se sentassem no chão sem serem pinicadas por suas folhas. Elas retiraram sanduíches de suas mochilas e serviram ração para os pokémons que haviam passado por um duro treinamento naquela manhã. Juliana ainda não havia capturado nenhum pokémon, mas Nigel demonstrou uma melhora significativa de suas habilidades.
                Ambas comiam seus sanduiches despreocupadamente enquanto dividiam um cantil de água. Uma leve brisa agitava a grama e acariciava-as com toques suaves enquanto eram protegidas pela sombra. Se não fosse por Skitty ter parado de comer repentinamente e balançado as orelhas olhado para uma região específica, elas nunca teriam notado a criatura que viram a seguir.
                Uma pequena criatura bípede de coloração rosa trazia em suas mãos um belo exemplar de Oran Berry. Possuía orelhas imensas com as pontas de coloração amarela, mesma cor da ponta dos pequenos e desajeitados pés. Ele carregava sua fruta despreocupadamente enquanto ia a uma direção específica. May sacou sua pokédex para se informar qual era aquele pokémon, esperava que o som do aparelho não o assustasse e o fizesse fugir.



“Whismur é muito tímido. Se começar a chorar alto, se assusta com o próprio choro e chora ainda mais. Seus gritos igualam-se a um avião a jato em volume. Respira através de seus canais auditivos e por esse motivo, pode chorar continuamente sem perder o fôlego.”
                O pokémon parou de andar assim que o som da voz saiu do aparelho. Uma de suas orelhas levantaram-se e balançaram na direção delas, mas logo esta voltou a sua posição original. May notou que aquela criatura não se parecia com a imagem mostrada pela pokedéx, ele não parecia medroso e nem tímido, muito pelo contrário. O pokémon virou-se e olhou para ambas, mas não pareceu nem ao menos considerar que elas eram algum tipo de ameaça e prosseguiu sua caminhada com um andar pomposo.
                – Ele é muito fofo, meu Deus! Quero pra mim! – Comentou a negra baixinho, encantada pela fofura do pokémon.
                – Podemos ir atrás dele se você quiser. Só temos que tomar cuidado para que não fuja – Respondeu May, ainda observando a criatura.
                Porém os planos delas não chegaram nem a ser pensados. Uma figura estranha surgiu abruptamente por trás de um dos arbustos da rota. Parecia estar correndo muito, pois não teve tempo sequer de ver o pokémon antes de se chocar com ele, acabando por os dois caírem e rolarem pela rota. May e Juliana, bem como seus pokémons assustaram-se, mas antes que tivessem qualquer tempo para reagir, o homem chutou a criatura que havia parado a seus pés. Um grito furioso saiu de seus lábios.
                – Pokémon estúpido! Aprenda a não entrar no caminho dos humanos, seu verme!
Levantou-se e ajeitou a roupa vermelha e preta, bem como o capuz que ocultava o rosto bronzeado. Procurou pelo envelope caído alguns centímetros a sua frente e, quando o apanhou do chão, voltou a correr sem nem ao menos notar a presença das jovens.
Assim que o homem sumiu de seus campos de vista, ambas despertaram do susto e levantaram-se, correndo na direção do pokémon. Assim que chegaram até ele, viram que estava meio atordoado pela pancada e golpe recebido.
– Coitadinho, eu devia ter pegado aquele cara e feito picadinho dele. Droga! – Falou a negra, furiosa consigo mesma e com o homem maldoso. May olhou para o pokémon e então novamente para pokedéx, notando algo que não havia percebido até então.
– É coitadinha. Ela é uma menina – Sorriu enquanto pegava uma de suas potions e dava para a criatura.
Bastaram apenas alguns segundos para que a Whismur acordasse, levantando-se bruscamente. Voltou seu olhar para direção na qual o homem havia seguido e começou a tremer, seu rosto atingiu uma leve coloração avermelhada. Talvez alguns pensassem que ela estava prestes a chorar, mas quando vissem os olhos da criatura, perceberiam que estava bem longe disso. Ela estava furiosa.
– Whismuuurr – Gritou a pokémon rosada e saiu correndo na direção daquele que a atacara injustamente.
– Espere, Whismur! – A negra pediu, mas já era tarde. A criatura já desaparecia por entre a mata – Não podemos deixá-la ir atrás dele. O jeito que a chutou sem motivo algum já mostra que seria capaz de coisas bem piores.
– Então temos de ir atrás dela – Disse enquanto chamava seus pokémons de volta. Juliana assentiu, chamando Nigel.
– Vamos!
E cumprindo o destino esperado por Brendan, as garotas partem rumo ao encontro da Whismur e consequentemente do ladrão dos documentos da Corporação Devon. O sol ainda trazia uma sensação térmica alta, mas elas mal percebiam nisso enquanto os corações bondosos preocupavam-se com o destino da pokémon rosada.



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sábado, 12 de janeiro de 2019

Líderes de Ginásio



          Roxanne é a líder de ginásio de Rustboro e especialista em pokémons do tipo Rock. Devido a seu grande talento e dedicação se tornou uma das mais jovens líderes da região, sendo não só responsável pela manutenção do ginásio, como também diretora da maior escola de treinadores do mundo. Por conta de sua formação acadêmica e profissão, a líder gosta de levar tudo o que aprendeu e estudou em aula para as batalhas e acredita que, embora cada treinador tenha seu estilo, todos devem demonstrar conhecimento básico para serem bons treinadores e cuidarem bem de seus pokémons.
          Demonstrou ter uma personalidade muito simpática e divertida, fazendo de tudo para que May se sentisse bem em sua primeira batalha oficial. Durante a batalha, constantemente deu instruções sobre o melhor a fazer para enfrentá-la, bem como para avaliar o estado físico e perceber os limites de cada pokémon.
          Até então, os pokémons mostrados por Roxanne foram um Geodude e um Nosepass, ambos enfrentados e derrotados por May.

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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Pokémon Chronicles 002



                Fazia uma manhã fria nas proximidades da guilda, uma coisa rara de ser acontecer naquela região. A lua estava clara, mesmo ainda em sua fase crescente e as pequenas estrelas ocupavam todo o céu, criando um cenário espetacular para aquele grupo de criaturas que amavam a noite.  A pequena cabana construída pelos pokémons aos poucos crescia e ia se aproximando da aparência de um pequeno chalé. Ao menos agora havia um quarto separado para as garotas, ou a garota, como convinha bem, já que Rubi ainda se recusava a compartilhar da mesma habitação que eles.


Naquela noite, porém tudo aquilo havia sido esquecido e todos os membros do grupo estavam em harmonia ou pelo menos, no maior nível de harmonia que conseguiam estar. Reunidos em volta da fogueira, eles cantavam e contavam histórias sobre seu passado ou passadas em tempos remotos. Era interessante que, apesar de serem de regiões muito diferentes, muitas daquelas histórias eram conhecidas por todos, sendo na maioria lendas e contos populares disseminados pela região.
A última a falar havia sido Penélope, que cantara uma das canções que mais ouvira em sua infância. A história se tratava da solidão de um pequeno Cubone que havia perdido sua mãe pela ação de humanos cruéis e que vagara por muito tempo sozinho pelos campos, até vir a encontrar uma Sandshrew por quem se apaixonara. A canção cantada pela suave voz da gata levara lágrimas aos olhos de quase todos. Até mesmo Rubi, em sua implicância particular, virou o rosto e secou os olhos discretamente.
Agora, porém, todos olhavam com ansiedade para Náutilus, pois aquela seria a vez dele de contar uma história. O pequeno surfista já havia viajado muito, era dele que sempre vinham as reviravoltas mais interessantes e os finais mais inusitados. Sua maneira única de narrar e representar cativava a todos.
– Dessa vez vocês me pegaram – Riu ele, passando a mão pelos cabelos azulados – Não tenho história preparada para contar.
– Para de mentir, você sempre tem uma história na ponta da língua – Penélope falou divertida. Era verdade, por mais ruim que fosse a história ou se ele tivesse de inventar ou modificar algo na hora,  o pokémon nunca deixou de tentar entretê-los da melhor maneira possível.
– Ah, mas dessa vez eu não tenho – Ele deu de ombros – Hoje vocês não contarão com os meus talentos artísticos de contador de histórias.
– P-porque você não conta sobre a sua história? – Nigel falou pela primeira vez na noite. Todas as cabeças do grupo assentiram e se voltaram para o anfíbio, ansiosos. Ele apenas riu e deu de ombros.
– Minha história não tem nada demais.
– Se não tivesse você não faria tanto mistério sobre ela – Disse Rubi em seu canto de braços cruzados. A vida secreta do amigo a irritava, ela gostava de ter controle sobre tudo e sobre todos.
Náutilus olhou para seus amigos e notou que todos o fitavam com ar de curiosidade. Já tinham perguntando-o várias vezes sobre suas origens ou onde treinou para aperfeiçoar suas habilidades. Muitas vezes, disse apenas que a mãe-mar o havia enviado para lá, mas isso parecia torná-los ainda mais insistentes. Ele soltou uma pequena risada.
– Muito bem, vocês venceram. Vou lhes contar três histórias e delas vocês poderão tirar as conclusões que quiserem – Ele pigarreou e remexeu nas brasas das fogueiras com um graveto – A condição é que só podem me perguntar algo depois que eu terminar as três.
Todos pareceram concordar e se posicionaram melhor para ouvi-lo. Ele deu uma olhada profunda para o mar a sua frente e por um instante seus olhos ficaram tristes e distantes.
– A primeira história trata-se de muitos e muitos anos e é sobre Alberon – Vocês sabem o que é? Já ouviram falar? – Todas as cabeças balançaram negativamente, com exceção da de Shino.
– Se me lembro bem... – Disse enquanto vasculhava sua mente atrás da informação completa – Era algo sobre o centro do mundo...
– Pode ter esse significado se seguirmos o Inshir que é a língua falada entre alguns grupos de insetos – Confirmou Náutilus – Mas de uma maneira geral e na língua falada pelos Unowns Alberon é o encontro de todos os caminhos, praticamente é onde todas as regiões do mundo se encontram.
– Isso é tecnicamente impossível – Retrucou o inseto.
– Não é se você souber onde procurar – Rebateu Náutilus.
– Shino... É só uma história – Disse Penélope é leve tom de censura – Deixe-o continuar.
– Humpf – Deu de ombros – Ok, continue...
– Prosseguindo então... A primeira história se passa em Alberon, por onde todos passam e onde ninguém nunca para.
“Um velho Squirtle já caminhava pela estrada havia muito tempo. Seu casco estava desgastado, sua pele ressecada e ele quase não se recordava do som de sua voz, como também mal se recordava da última vez que a usara. A fome remoia suas entranhas e o pequenos pés estavam cheios de calos, novos e velhos, de quem andara por todos os tipos de lugares existentes. De tanto que andara, acabou chegando em Alberon, mas diferente do resto dos caminhos que percorreu, aquele se encontrava repleto de outros grupos de pokémons viajantes que estavam de passagem.
O Squirtle estava com fome, mas acima de tudo, estava cansado de ficar sozinho e se perguntava se mesmo já velho algum daqueles o aceitaria em seu grupo. Decidiu ir até o grupo mais próximo, que era formado de pokémons de sua região, mais especificamente de Machokes. Os pokémons trocavam poderosos socos entre si, enquanto o líder Machamp analisava seus movimentos minuciosamente. Com pequenos passos e olhos atentos, o Squirtle desviou de todos que lutavam e se aproximou da grande figura que era pelo menos seis vezes maior do que ele.
– Com licença, senhor – O Machamp fez um sinal com a mão e todos os outros pararam instantaneamente, mesmo aqueles que viravam-lhe as costas – Por acaso não estariam interessados em ter no grupo um conterrâneo? Estou farto de viajar sozinho e posso ajudar-lhes no que me for possível.
– O que pode nos oferecer? – Perguntou o líder enquanto avaliava com desdém o pequeno Squirtle.
– Posso fazer pequenos trabalhos braçais e sei todas as histórias do mundo – Respondeu ele humildemente.
– Humpf – Bufou o Machamp, já irritado por estarem tirando-lhe tempo – Não queremos histórias, somos lutadores. Queremos lutar!
– QUEREMOS LUTAR! – Berraram os outros ao seu redor em resposta.
– Não há lugar para você aqui. Está velho e mal passa do meu joelho. Vá embora!
O Squirtle confirmou humildemente com a cabeça e deixou-os continuar com sua luta. Ainda esperançoso, continuou a avançar até encontrar um bando de Tranquills que voavam pelos céus fazendo lindas manobras. Um pouco receoso de como seria sua recepção, aproximou-se vagarosamente dos pokémons voadores sendo rapidamente avistado. Um grito saiu do primeiro que os viu e todos se juntaram num grande grupo no céu, como uma nuvem de tempestade.
– Quem é você? O que faz aqui? – Gritaram todos em uníssono.
– Sou apenas um velho Squirtle viajante e gostaria de saber se vocês não querem um companheiro a mais em seu grupo – Disse o pokémon fazendo uma pequena reverência.
– No que poderia nos ajudar? – Mais uma vez foi ouvida a união estridente de todas as aves.
– Posso fazer pequenos trabalhos braçais e sei de todas as histórias do mundo.
– Não queremos histórias! Somos velozes, gostamos de voar. Histórias são para aqueles que ficam no chão e mar. Histórias são para aqueles que não podem ver o mundo com seus próprios olhos porque são lerdos – Responderam os passaram voando agitados como Beedrills num enxame.
Os bicos ameaçadores assustaram o Squirtle e a tartaruga fugiu dali apressado, pois a última coisa que queria era ser ferido pela fúria de dezenas de aves. Já demasiadamente cansado, o Squirtle se dirigiu ao terceiro grupo, que se situava por entre um amontoado de árvores. Lá estava mais escuro do que a tartaruga esperava e ela tremeu de medo, quase dando um grito de susto quando a figura de um Mimikyu surgiu abruptamente em sua frente.
– Olá senhor, você por acaso viu um Pikachu? – Perguntou a criatura com voz doce e ele pensou que finalmente teria sucesso em arrumar um grupo.
– Não, não vi nenhum hoje, mas já conheci vários – Disse ele, animadamente – Posso até lhe contar algumas histórias sobre alguns.
– Viu um Pikachu? – A criatura alegrou-se e saltitou de um lado para o outro.
– Sim, mas faz muito tempo – Repetiu o Squirtle, um pouco sem graça de ter que desapontar o fantasma.
– Pode me dizer onde encontro um Pikachu?
– N-não vi nenhum recentemente, me desculpe – O Mimikyu aproximou-se mais da tartaruga.
– Pode me levar até o Pikachu? – De repente, outras figuras semelhantes surgiram por entre as árvores, andando vagarosamente na direção deles – Nós queremos muito ver um Pikachu.
– D-desculpe... Eu não posso ajudá-los – A tartaruga foi andando na direção oposta a que veio, enquanto criaturas continuavam o seguindo.
– Espere! Você viu o Pikachu? Sabe onde ele está? – Gritou, mas o outro já estava longe.
O Squirtle sentia suas pernas tremerem e sincronia com a respiração descompensada. Estava muito cansado e a fome nunca fora tão grande. Caminhando em meio a tropeços pelas árvores, ele se deparou com o brilho de uma fogueira logo adiante e decidiu fazer uma última tentativa de aproximação. Temeroso, capengou até lá e encontrou uma grande e brilhante fogueira. Seus instintos então o alertaram e ele deu um passo para trás no exato momento em que um poderoso soco dado por um Infernape atingiu o chão em sua frente. O olhar duro e enraivecido do primata o indicaram que aquele golpe fora intencional e que ele deveria se afastar.
Sem esperar por mais nenhum segundo, a tartaruga saiu dali o mais rápido que conseguiu. Já estava escurecendo quando atingiu a estrada novamente e seu pequeno e velho corpo já não aguentava mais nada. Achou algumas poucas amoras selvagens em arbustos na beira da estrada e ali mesmo deitou-se para descansar. A exaustão e o cansaço acumulados por dias atingiram-no e ele rapidamente adormeceu, sem se importar com chão duro ou o frio que fazia.
Alguns minutos ou horas depois, ele não soube dizer, sentiu seu rosto ser cutucado enquanto uma voz infantil comentava baixinho, como se temesse algo.
– Eu acho que ele está morto. Nem se mexeu quando eu o cutuquei – Disse a voz.
– Deve ter morrido há pouco tempo, nem está fedendo ainda – Concordou uma segunda voz.
– Vocês dois! Já disse não perturbarem o Squirtle! – Falou uma terceira voz um pouco mais distante, porém essa já parecia pertencer a um adulto.
– Mas pai, ele está morto! – Ouvindo isso, a tartaruga finalmente percebeu que era a ele a quem se referiam e levantou-se.
Um estranho bando o cercava, sendo a maior parte dele constituído por Zigzagoons, mas também haviam outros pokémons como Sentrets, Aipons e alguns Marills. Alguns deles olhavam curiosos para ele, mas a maioria está focada em fazer o jantar e criar uma espécie de acampamento para alojar o grupo. O Zigzagoom mais próximo se aproximou dele, parecia ser um dos mais velhos do bando.
– Me desculpe pelo incomodo dos pequenos, senhor – Disse ele apontando para os dois filhotes escondidos atrás de seu corpo peludo – Se não for incomodá-lo, gostaria que jantasse conosco como maneira de me redimir.
– De maneira alguma existe algo a que se redimir, caro amigo. São apenas crianças e agem como tais. Mas se ainda insistir, não nego que ficaria grato por uma refeição descente.
– Pois venha comigo.
O jantar foi bastante simples, com algumas frutas e pão umedecido com mel. Ao final todos estavam fartos e já se movimentavam para procurar o melhor lugar para dormir. O Zigzagoon com quem conversara antes veio até ele e ofereceu-lhe um pedaço de uma raiz desconhecida. Tinha um gosto amargo que o deu vontade de cuspir, mas aos poucos foi sentindo apoderar-se de seu corpo um vigor que há muito não sentia.
– O que o trás a essa parte do mundo, senhor caminhante? – Perguntou a ele.
– Nenhuma razão especial. Apenas o desejo de estar na estrada daqueles que não possuem um lar ou não tem vontade de tê-lo.
– Compreendo – Disse o Zigzagoon assentindo com a cabeça.
– E vocês? Me surpreende um bando tão diversificado. Geralmente pokémons viajam apenas com aqueles que são de sua espécie.
– Somos artistas, viajamos em trupe pelas cidades do mundo. Zigzaagoons são hospitaleiros, nunca deixaram de ajudar um viajante necessitado, caso o mesmo se mostre respeitoso. Alguns até mesmo continuam conosco, pois mesmo não sendo artistas, contribuem com a alimentação, colhem alimentos pelo caminho e fazem a segurança – Aquela fala fez uma chama de felicidade despertar no coração abatido do velho Squirtle, no entanto, teve medo de que nada ou muito pouco pudesse contribuir. Não era um artista ou cozinheiro, e nem possuía toda a energia necessária para ser coletor ou a força para fazer a segurança.
 – Vejo que o senhor perdeu-se em pensamentos. Acaso o que eu disse provocou-lhe algum incômodo? – O Zigzagoon continuou a falar, questionando o outro.
– De modo algum! – A tartaruga tratou de esclarecer logo a situação – Na verdade, estava pensando se vocês aceitariam alguém que tem muito pouco a oferecer além de histórias para seu grupo.
– De quais histórias estamos falando? – Perguntou o guaxinim levando uma das patas ao queixo. Aparentava um ar levemente divertido.
– Está aqui em sua frente aquele que conhece todas as histórias do mundo. Ou pelo menos a maioria delas – Sua voz carregava um ligeiro orgulho e ele curvou-se perante o outro em uma pequena reverência humilde.
O Zigzagoon continuou a observar o outro por alguns segundos, até que um grande sorriso surgiu em sua face.
– Meu caro, talvez seja uma questão de sorte ou simplesmente o destino que o tenham trago até aqui. Independente dessa questão deixe-me apresentar-nos novamente. Somos artistas: músicos, atores, bailarinos cantores ou tudo junto. Não existe mais nada no mundo que apreciemos mais do que boas histórias contadas à luz da fogueira. São delas que se originam canções e músicas, é com elas que crianças e adultos aprendem a sonhar. Se quiser fazer parte de nossa família, velho caminhante contador de histórias, será mais que bem vindo.
E foi simples assim, talvez não tão simples como deveria ser, mas muito mais àqueles que veem tudo de longe. A partir daquele dia, o Squirtle caminhante viveu com o bando dos Zigzagoons por muitos anos, até simplesmente morrer de velhice ou encontrar algum lugar mais tranquilo para repousar em seus últimos anos – isso nunca se soube.
O que se sabe até hoje é que Zigzagoons são conhecidos no mundo todo por serem os melhores contadores de histórias, assim como a espécie mais acolhedora de todas. Muitas canções foram escritas a seu respeito e seus grandes heróis são mundialmente conhecidos, bem como todos os heróis que também eram artistas.  
Parte disso, talvez se deva lenda de Kurt, o contador de histórias. A que diziam ter o casco gravado com milhares palavras que somente aqueles que tinham bons olhos conseguiam lê-las e ao fazê-lo, se tornavam automaticamente sábios.”
O grupo todo estava silencioso, como se ainda estivessem presos ao que acabaram de ouvir. Náutilus deu uma pequena risada e voltou a remexer nas brasas com um graveto, fazendo fagulhas voarem. Shino, que detestava o fogo assim como o fogo detesta a água, reagiu com um olhar de censura – um sinal de que havia voltado a si.
– Como essa história tem a ver com... – O anfíbio levantou a mão para interrompê-lo.
– Eu disse que não deveria haver de perguntas até o fim.
– E qual será a próxima história? – Foi Apolo que falou dessa vez, olhando por trás da cortina de cabelos verdes.
– Bem, eu vou contar a vocês agora sobre como um pokémon roubou a lua...