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Capítulo 22

May ainda estava deitada na cama cobrindo a cabeça com as mãos. Ela sentia cada movimento que o barco fazia, cada manobra com que ameaçava derrubá-los em seu abismo negro. O oceano não era mal, ela sabia, ele era antigo assim como o próprio tempo e como este, era impiedoso e o fato de estarem ali não o impediria de mostrar seu poder. Cada vez mais seu corpo sucumbia ao enjoo, ela desejava que tudo aquilo acabasse logo, fosse pelo fim da tempestade, fosse pelo silenciar das vozes dos tripulantes no fundo do oceano.
A
melodia não deixava de acompanhá-la, se antes havia apenas o tom apaixonado,
agora era marcada por notas de angústia, como se sentisse exatamente o que a garota
sentia. A canção havia se tornado urgente, ansiosa e, acompanhada pelo ribombar
das nuvens de chuva, chegava a ser desesperadora. Seu corpo tremia a cada nota
aguda, apesar de estar vestida com seu moletom de cor roxa estampado com um
Spheal.
Ela
mal viu o que fazia. Uma parte de sua mente queria manter-se protegida dentro
de si mesma, na confortável e escura cabine, mas a outra gritava para saciar os
anseios de sua alma e esta última era tão mais audível que silenciava qualquer
outra coisa. E, por seguir essa parte, que ela inesperadamente sentiu uma
parede de água e vento desabar sobre seu corpo. Não conseguia ver nenhum de
seus amigos, mas naquela escuridão total, porém duvidava que os enxergasse a
centímetros de seu corpo. A melodia chamou-a novamente, agora mais perto do que
nunca e May, sem pensar duas vezes atirou-se na água.
A
princípio, sentiu seu corpo sendo lançado de um lado para o outro com força,
como uma bola em um campo de futebol, mas conforme ela afundava toda a movimentação
cessou. Tudo estava no mais absoluto silêncio, a água agora passava ao seu
redor tão suavemente quanto carícias de uma mãe para um bebê.
Inexplicavelmente, tudo havia passado, os enjoos excessivos, a ardência na
testa, até o frio passara a ser um frescor suave.
Com
um leve sorriso, ela abriu os braços, como se chamasse para acolher-se para
junto de si a voz que clamara por seu nome por tanto tenho.
“Eu
estou aqui!” chamou mentalmente. “Venha a mim, venha a mim, venha a mim”
E
a criatura veio
Capítulo 21

O céu incrivelmente azul daquela tarde parecia refletir o azul do mar sereno. Não havia sequer uma nuvem que manchasse de branco a bela tela azul ciano que vez ou outra ela salpicado pelos pequenos pontinhos escuros dos pokémon pássaro voando pelo céu. Em meio à calmaria do oceano, um homem de idade avançada e quase totalmente calmo sentava-se em um dos bancos da lancha que dirigira por tantos anos. O motor estava desligado, o único som produzido era leve murmúrio do oceano e o choque das ondas fracas contra o casco do barco. Encarapitado em uma das hastes que seguravam o teto do veleiro, um pokémon pássaro cochilava tranquilamente com seu bico quase totalmente escondido pela asa.
Notas da Autora - Capítulo 20

Pode conter spoilers!
E lá vou eu mais uma vez quase me esquecendo de fazer as notas. Bem, antes tarde do que nunca, não é? Devo dizer que terminei esse capítulo nos 90 do segundo tempo pra entregar para o Napo revisar. Pobre Napo, tendo que correr para revisar meus capítulos de última hora para serem postados na própria sexta. É ele quem evita que os capítulos sejam postados com erros grosseiros e palavras faltando, então o agradeçam depois, por favor! rs
Como vocês puderam ver, esse foi mais uma espécie de capítulo de transição já que entramos em um novo arco e dessa vez nossos protagonistas rumam à Dewford para arranjar encrenca por lá. Quando planejei esse capítulo, ele iria acontecer de forma muito mais rápida e com muito menos detalhe, mas uma coisa que tenho observado nos capítulos conforme lia tanto a minha própria fanfiction, quanto a dos outros é a falta de diálogos e interações entre o trio, por isso decidi deixá-lo menos corrido e fazer essa ceninha pra vocês. Espero que tenha sido aprovada.
O que será que aconteceu com a May? Isso só o capítulo 20 irá responder. Confesso que quando comecei a escrever também não planejava esse final, mas ele acabou fluindo mais facilmente do que eu esperava (e veio acompanhado de uma grande mudança de roteiro também).
May vendo o Brendan caindo nesse capítulo sendo que ele disse que era ela quem iria cair (mesmo ela tendo realmente caído) e rindo das voltas que a terra plana dá. Quase cancelamos ele nesse capítulo, estragou o plano todo.
Obrigada a todos que acompanharam a fic até aqui! Fico muito feliz por termos conseguido chegar aos vinte capítulos. E que venham mais vinte em breve! Abraços a todos e bom fim de semana!
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